ROEDORES

Os roedores são mamíferos que pertencem à ordem Rodentia, cujo nome deriva da palavra latina rodere que significa roer. A principal característica que os une é a presença de dentes incisivos proeminentes que crescem continuamente. Existem cerca de 2.000 espécies no mundo, representando em torno de 40% de todas as espécies de mamíferos existentes. Os roedores vivem em qualquer ambiente terrestre que lhes dê condições de sobrevivência. Apresentam extraordinária variedade de adaptação ecológica, suportando os climas mais frios e os mais tórridos, nas regiões de maior revestimento florístico e nas mais estéreis, suportam também grandes altitudes e em cada região podem mostrar um grande número de adaptações fisiológicas. Os ratos e camundongos (Família Muridae) são considerados sinantrópicos por associarem-se ao homem em virtude de terem seus ambientes prejudicados pela ação do próprio homem.

Biologia

Apresentam olfato, paladar, audição e tato (longas vibrissas e pelos sensoriais) bastante desenvolvidos, porém possuem má visão e são daltônicos. Estão sempre em busca de água, alimento e abrigo, e possuem hábito noturno, podendo sair durante o dia na falta de alimento. Para esses casos, apresentam mecanismos que limitam a população, tais como baixa da fertilidade e fecundidade das fêmeas, supressão de cios e canibalismo. São onívoros e formam trilhas e manchas de gordura ao se locomover. Atingem a maturidade sexual aos 3 meses e, geralmente, logo após o desmame, que ocorre aos 21 dias, já nasce outra ninhada.

Principais espécies

image002Mus muscullus (camundongo)

O camundongo, também conhecido por mondongo, catita, rato caseiro, rato de gaveta, rato de botica, muricha e ainda por outras denominações regionais, é a espécie que atinge maior nível de dispersão, sendo encontrado praticamente em todas as regiões geográficas e climáticas do planeta. É originária das estepes da Ásia Central, região onde se acredita, tenha se desenvolvido inicialmente a agricultura. Neste período, os camundongos tornaram-se comensais do homem ao invadirem os locais onde os cereais colhidos eram estocados. Sua associação com o homem é, portanto, bastante antiga, sendo a habitação humana compartilhada com esses roedores há alguns milhares de anos.

São animais de pequeno porte que raramente ultrapassam 25g de peso e 18cm de comprimento (incluindo a cauda, que é fina e longa), a coloração pode variar bastante e as orelhas são relativamente grandes e translúcidas (sem pêlos) e não apresentam membrana interdigital nos pés. Vivem em média 1 ano, com período de gestação de 21 dias, com 4 a 5 ninhadas por ano e 4 a 10 filhotes por ninhada. Suas fezes são finas e terminadas em pontas afiladas, porém de tamanho bem reduzido, podendo até ser confundidas com fezes de baratas.

Devido ao tamanho reduzido, são transportados passivamente para o interior das residências, tornando-se importantes pragas intradomiciliares. Uma vez em seu interior, podem permanecer longo período sem serem notados, sendo sua existência detectada quando a infestação já estiver estabelecida. Seu raio de ação é pequeno, raramente ultrapassando 9m.

Camundongos costumam fazer seus ninhos no fundo de gavetas e armários pouco utilizados, no interior de estufas de fogões e em quintais onde são criados animais domésticos. Neste último caso, podem cavar pequenas ninheiras no solo, semelhantes às das ratazanas, podendo formar numerosos complexos de galerias onde houver grande oferta de alimentos.

São onívoros como a ratazana e o rato de telhado, ou seja, alimentam-se de todo tipo de alimento, embora demonstrem preferência pelo consumo de grãos e cereais. São animais curiosos e possuem o hábito de explorar ativa e minuciosamente o ambiente em que vivem (neófilos), não apresentando o comportamento de neofobia, característico dos ratos de telhado e ratazanas. Podem penetrar em 20 a 30 locais por noite em busca de alimento, trazendo sérios problemas de contaminação de alimentos em dispensas e depósitos em geral, além de dificultar o seu controle por raticidas.

image004Rattus rattus (rato de forro ou de telhado)

O rato de telhado, também conhecido como rato preto, rato de forro, rato de paiol, rato de silo ou rato de navio é o roedor comensal predominante na maior parte do interior do Brasil, sendo comum nas propriedades rurais e pequenas e médias cidades do interior.Geralmente apresenta coloração preta, mede entre 19 e 22cm de comprimento, possui cauda fina, mais longa que o comprimento do corpo, e pesa de 230 a 300g. As orelhas são longas, quase sem pelos, e seus pés apresentam membrana interdigital. Vive em média 18 meses, o período de gestação é de 28 dias, com 3 a 4 ninhadas por ano, com 3 a 9 filhotes cada. Suas fezes são finas e terminadas em pontas afiladas.

Além das diferenças morfológicas, os ratos de telhado apresentam hábitos, comportamentos e hábitat bastante distintos da ratazana. Por ser uma espécie arborícola, os ratos de telhado ainda cultivam o hábito de viver nas superfícies altas das construções, em forros, telhados e sótãos onde constroem seus ninhos, descendo ao solo em busca de alimento e água. Vivem em colônias de indivíduos com laços parentais, cujo tamanho depende dos recursos existentes no ambiente. Seu raio de ação tende a ser maior que o da ratazana, devido à sua habilidade em escalar superfícies verticais e à facilidade com que anda sobre fios, cabos e galhos de árvores. Sua dispersão em zonas urbanas tem sido facilitada pelas características de verticalização das grandes cidades aliadas aos modelos de construção e decoração dos modernos prédios de escritórios: forros falsos e galerias técnicas para passagem de fios e cabos permitem o abrigo e a movimentação vertical e horizontal desta espécie.

 

 

image006Rattus norvegicus (ratazana)

A ratazana, também conhecida como rato de esgoto, rato marrom, rato da Noruega, gabiru, etc., é a espécie mais comum na faixa litorânea brasileira. A coloração pode variar do castanho ao preto, uniforme ou com manchas. Mede de 21 a 26 cm de comprimento, a cauda é grossa de tamanho igual ou mais curto que o corpo. Pesa de 350 a 460 g, com orelhas curtas e relativamente peludas. Os pés apresentam membrana interdigital. Vive em média 2 anos e seu período de gestação dura cerca de 28 dias, com 3 a 4 ninhadas por ano e uma média de 8 filhotes por ninhada. As fezes são grossas.

Vive em colônias cujo tamanho depende da disponibilidade de abrigo e alimento no território habitado, podendo atingir um grande número de indivíduos em situações de abundância alimentar. É uma espécie de hábito fossorial (gosta de cavar), seu abrigo preferencial fica abaixo do nível do solo. Com o auxílio de suas patas e dentes, as ratazanas cavam ativamente tocas e/ou ninheiras no chão, formando galerias que causam danos às estruturas locais. Encontram-se facilmente em galerias de esgotos e águas pluviais, caixas subterrâneas de telefone, eletricidade, etc. Podem, também, construir ninhos no interior de estruturas, em locais pouco movimentados, próximos às fontes de água e alimentos.

Embora possam percorrer grandes distâncias em caso de necessidade, os indivíduos desta espécie têm raio de ação (território) relativamente curto, raramente ultrapassando os 50 metros. Na área delimitada por feromônios constroem seus ninhos, onde se alimentam, procuram e defendem seus parceiros sexuais. Este território é ativamente defendido de intrusos que são expulsos por indivíduos dominantes da colônia. Costumam apresentar marcada neofobia, isto é, desconfiança a novos objetos e/ou alimentos colocados no seu território. Este comportamento varia de população para população e de indivíduo para indivíduo, sendo mais acentuado naqueles locais onde há pouco movimento de pessoas e objetos. Nestes locais, o controle é mais lento e difícil de ser atingido, em virtude da aversão inicial dos indivíduos às iscas, porta-iscas e armadilhas colocadas no ambiente. Já nos locais onde haja movimento contínuo de pessoas, objetos e mercadorias, a neofobia é menos acentuada ou inexistente e os novos alimentos (iscas) e objetos (armadilhas) são imediatamente visitados, tornando-se, desta forma, mais fácil o seu controle.

A dispersão das ratazanas pode se dar passivamente, quando indivíduos são transportados em caminhões, navios, trens, no interior de contêineres, etc., ou ativamente, quando o indivíduo deixa sua colônia em busca de outro local para abrigo. As razões que levam um indivíduo a esta situação são bastante diversas, mas é certo que a redução da disponibilidade de alimento e abrigos por alterações ambientais são fatores importantes na dispersão dos roedores. Outra pressão importante que provoca a dispersão é o excesso populacional. O processo de urbanização desenfreada e sem planejamento da maioria das cidades de médio e grande porte do Brasil têm favorecido o crescimento da população e a dispersão das ratazanas. Fatores como a expansão de favelas e loteamentos clandestinos sem redes de esgoto e principalmente com coleta de lixo inadequada ou insuficiente, certamente têm propiciado o aumento desta espécie. Epidemias de leptospirose ocorrem geralmente nos ambientes degradados, não deixando de ocorrer, no entanto, em áreas adequadamente urbanizadas. São cada vez mais comuns casos de mordeduras por ratazanas ou toxi-infecções causadas por ingestão de alimentos contaminados pelos roedores.

Danos à saúde

A presença do roedor em áreas urbanas e rurais gera agravos econômicos e sanitários de relevância ao homem. O roedor participa da cadeia epidemiológica de pelo menos trinta doenças transmitidas ao homem. Leptospirose, peste e as hantaviroses são doenças de importância epidemiológica no Brasil por eles transmitidas. Além disso, atacam alimentos armazenados em residências ou comércios, danificam fios e cabos elétricos e de telefone, podendo provocar incêndios, estragam sacarias, roupas, livros, objetos de madeira, etc.

Bibliografia

 http://portal.saude.gov.br/portal/arquivos/pdf/manual_roedores.pdf