Pulgas são insetos da Ordem Siphonaptera (do grego siphon = tubo, aptera = sem asas), e atualmente são conhecidas quase 3.000 espécies, das quais 59 encontram-se no Brasil, que apresentam distribuição muito ampla, desde a região Ártica até a Antártica.

Biologia

A Ordem Siphonaptera compreende pequenos insetos (2,5 mm de comprimento), ápteros, com metamorfose completa (ovo-larva-pupa-adulto), de coloração castanha, achatados lateralmente, providos de cerdas voltadas para trás, sendo vulgarmente conhecidos como pulgas. A maior parte das espécies conhecidas (80%) apresenta ctenídios, destinados à fixação e locomoção entre os pelos dos hospedeiros. A locomoção é realizada essencialmente pelas pernas, porém, para grandes obstáculos, o salto é o recurso comumente empregado. Algumas espécies chegam a pular 600 vezes por hora, podendo alcançar quase 40 cm de altura e 30 cm em linha horizontal.

O ciclo de vida dura de 25 a 30 dias, dependendo das condições de temperatura e umidade. Cada fêmea pode colocar de 300 a 400 ovos, que são esbranquiçados, ovóides ou elipsoidais, medindo 300 a 700 µm em média, geralmente depositados nos ninhos dos hospedeiros. A eclosão ocorre dentro de 1 a 3 dias. As larvas são esbranquiçadas, com cabeça distinta, vermiformes e ápodas, com aparelho bucal do tipo mastigador. Estas alimentam-se de sangue do hospedeiro expelido pelo ânus da pulga adulta, e geralmente aderido a outros detritos orgânicos. Em razão disso, enquanto se alimentam dos hospedeiros as pulgas ingerem mais sangue do que o necessário para o próprio consumo. A hematofagia é exclusiva da fase adulta e obrigatória para os dois sexos, podendo ser realizada tanto durante o dia quanto à noite. Cada evento de alimentação dura cerca de 10 minutos, sendo repetido de 2 a 3 vezes por dia. O sangue do hospedeiro habitual é digerido mais depressa que o do hospedeiro não usual, com o aumento da temperatura acelerando a digestão. Assim, o número de refeições está relacionado com a rapidez da digestão, que, por sua vez, é governada pelas condições de temperatura. Os adultos são ectoparasitos, enquanto as larvas vivem livremente no solo, ninhos, tocas ou trilhas dos hospedeiros. Uma pulga alimentada vive até 500 dias, não alimentada até 125 dias. Os estímulos responsáveis para que as pulgas encontrem seus hospedeiros são, principalmente, os visuais e os térmicos. Luz, dióxido de carbono e correntes de ar apenas estimulam a locomoção.

Principais espécies

image002Xenopsylla cheopis (pulga-do-rato)

O principal hospedeiro é o rato urbano, mas também pode atacar outros mamíferos, incluindo o homem. É o principal agente transmissor da Peste Bubônica, doença epidêmica contagiosa (quase fatal), que causa manchas escuras na pele e hemorragias internas.

 

 

 

image004Ctenocephalides canis (pulga-do-cão)

Infesta tanto cães quanto gatos, podendo picar ratos, outros animais e o homem. Substituiu a Pulex irritans e tornou-se problema por infestar animais domésticos. É mais comum em regiões de clima frio.

 

 

 

 

 

image006Ctenocephalides felis (pulga-do-gato)

Também atacam o homem e vários outros animais, sendo mais comum que as pulgas-dos-cães. Capaz de transmitir doenças ao homem, além de provocar alergia. Mais comum em regiões de clima quente.

 

 

 

image008Pulex irritans (pulga-do-homem)

Podem sugar outros hospedeiros, como suínos, cães e gatos e, raramente, ratos. Sua ocorrência é maior em casas muito velhas. Espécie comum em ambientes urbanos, apresenta diversidade de hospedeiros, sendo, todavia, freqüentemente encontrada fora dos hospedeiros, em especial em habitações humanas. São pragas de humanos e seus animais domésticos em todo o mundo.

 

 

image010Tunga penetrans (bicho-de-pé)

Esta espécie é mais comum nas zonas rurais. A fêmea fecundada penetra na pele do homem e de outros animais, causando forte coceira e ulceração. Adquire-se andando em áreas infestadas, como currais, chiqueiros e praias.

 

 

 

 

Danos à saúde

Apresentam acentuada importância parasitológica como agentes infestantes responsáveis por ações irritativas (provocando dermatites e reações alérgicas de intensidade variada) e inflamatórias (determinando infecções secundárias por fungos e bactérias através das lesões cutâneas ocasionadas pelo parasitismo) nos hospedeiros, ou como vetores biológicos de viroses, riquetsioses (Rickettsia mooseri, agente do tifo murinho) e doenças bacterianas (Yersinia pestis, agente da peste bubônica; Francisella tularensis, agente da tularemia; Salmonella enteritidis e Salmonella typhimurium, agentes de salmoneloses). Podem, também, atuar como hospedeiros intermediários para complementação do ciclo biológico de certos protozoários e vermes. Seus hospedeiros são mamíferos (94%) e aves (6%), sendo os roedores os hospedeiros preferenciais (74%). A maioria das espécies vive sobre a pele e pelagem dos hospedeiros, em outras as fêmeas penetram e vivem sob a pele dos hospedeiros, lá permanecendo até a última ovipostura.

Se seu bichinho de estimação se coça demais, isso pode ser sinal de infestação. Tratar apenas os bichinhos não é suficiente, a residência também deve ser tratada para conter todos os focos e prevenir futuras infestações.

Bibliografia

www.biota.org.br