ARANHAS

As aranhas (Ordem Araneae) constituem o maior grupo dentro dos aracnídeos (Classe Arachnida), que também compreende os ácaros, carrapatos e escorpiões. Existem aproximadamente 38.000 espécies de aranhas no mundo, sendo 4.000 só no Brasil.


BIOLOGIA

Todas as aranhas são carnívoras e alimentam-se principalmente de insetos, mas algumas se alimentam também de pequenos vertebrados. Sua característica de predadoras de insetos torna sua função nos ecossistemas muito importante, porque dessa forma atuam como reguladoras da população desses artrópodes.
As aranhas são na maioria noturnas e ocupam quase todos os ambientes: sobre o solo, embaixo de pedras, dentro de frestas, equipamentos, no meio da grama e em ramos de árvores. As aranhas entram em residências acidentalmente, pois são levadas em caixas e objetos vindos da área externa. Dentro das residências, elas se escondem atrás de quadros, e dentro de caixas, roupas ou móveis. Se adaptam com muita facilidade, haja vista a colonização dos ambientes urbanos e até mesmo áreas de cultivos. Nem todas as aranhas constroem teias e as que o fazem utilizam este artifício para caçar insetos.
A fêmea deposita os ovos dentro de uma ooteca, que é um saco de seda onde ficam abrigados os ovos. A ooteca é depositada na teia, mas pode também ser atada a folhas ou ramos de plantas ou ainda ser carregada pela fêmea até a eclosão dos filhotes. Os jovens são muito semelhantes aos adultos e quase sempre são canibais.
Apesar de poucas aranhas possuírem a capacidade de intoxicar o homem, todas as aranhas são venenosas. Acidentes graves podem ocorrer devido a picada de algumas espécies, tais como: Loxosceles spp. (aranha marrom), Lycosa spp. (aranha de jardim ou tarântula), Latrodectus spp. (viúva negra) e Phoneutria spp. (armadeira).

PRINCIPAIS ESPÉCIES

tabela_aranhas

Acidentes e danos à saúde

armadeiraArmadeira (Phoneutria sp.)
Essa espécie é dada como a mais agressiva do mundo: ergue-se apoiada sobre as patas traseiras mostrando as manchas listradas abaixo das pernas como sinal de advertência, e salta sobre o agressor a uma distância de até 40 cm, que muitas vezes é atacado sem saber. Seu ataque é feroz, desferindo várias picadas seguidas e injetando veneno em cada uma. O maior número de acidentes é provocado por essa espécie, que pode abrigar-se em sapatos, causando acidentes quando são vestidos. Seu veneno tem ação neurotóxica, é extremamente dolorido e pode levar a vítima ao “estado de choque” e até a morte, quando se trata de crianças pequenas e idosos. Os adultos que suportam a dor devem receber tratamento local com anestésicos e anti-histamínicos. Casos mais graves necessitam de soroterapia e acompanhamento médico.

caranguegeiraCaranguejeira (várias espécies)
São muito grandes e por isso bastante assustadoras, mas seu veneno não é tóxico para humanos e não são agressivas, assumindo postura defensiva apenas se molestadas. Embora muito temidas, os acidentes são raros e sem gravidade. Por apresentarem quelíceras muito grandes, sua picada pode ser bastante dolorida, porém não há necessidade de aplicação de soro. Possuem muitos pelos (cerdas urticantes) recobrindo o corpo, e quando se sentem ameaçadas podem raspar as patas traseiras no abdômen e liberar estes pelos, que podem atingir os olhos, causando lesões, a pele, provocando irritação e coceira, e o trato respiratório, muitas vezes causando sensação de asfixia. No caso de acidentes com este tipo de aranha, a vítima deve procurar um posto de saúde ou hospital para medicação.

tarantula

Tarantula ou aranha de jardim (Lycosa sp.)
Por ter hábitos diurnos e viver nas imediações de residências e piscinas (jardins) os acidentes são freqüentes, porém sem gravidade. Não há necessidade de tratamento com soro.

aranha_marromAranha marrom (Loxosceles sp)
É a aranha brasileira que possui veneno mais ativo, mas apesar de não serem agressivas, são responsáveis por muitos acidentes e têm se mostrado um sério problema de saúde pública. São domésticas, encontradas em locais escuros e úmidos como embaixo de pias, rachaduras de parede, livros, telhas e tijolos empilhados. Sua teia é característica, similar a um chumaço de algodão. Muitas aranhas inofensivas se parecem e vivem nos mesmos locais da aranha marrom, mas somente um especialista sabe distinguir com segurança. Os acidentes ocorrem quando entram em roupas e, ao serem “vestidas”, são pressionadas e picam. Como sua picada não é muito dolorida muitas vezes a pessoa pensa tratar-se de alguma farpa e não dá muita importância. A ação do veneno dessas aranhas manifesta-se em torno de 12 a 24 horas após o acidente (a variação do tempo de ação do veneno existe pelo fato de que alguns organismos são mais fortes que outros). O local atingido apresenta inchaço e dor, como se fosse uma queimadura. A vítima apresenta mal estar e náusea. Pode ocorrer febre e o local da picada necrosar. Nos casos mais graves a urina fica escura (cor de coca-cola) e pode ocorrer anemia hemolítica (destruição das hemácias), coagulação do sangue e sérias alterações renais. É necessário soroterapia específica e acompanhamento médico.

aranha_de_teiaAranha de teia (várias espécies)
As aranhas que constroem belas teias (normalmente geométricas), mesmo as que atingem grandes dimensões, não possuem venenos potentes, e por isso não representam tanto perigo ao homem, já que não provocam acidentes.

viuvanegraViúva negra (Latrodectus sp.)
A viúva-negra é uma aranha muito conhecida, tanto pelo fato de devorar o macho após o acasalamento como também por seu “veneno fatal”. Essa aranha vive em teias que constrói sob a vegetação rasteira, arbustos e barrancos e, embora cada uma viva em sua própria teia é comum encontrar aglomerados de teias. O veneno das viúvas-negras brasileiras é muito menos tóxico do que aqueles presentes nas espécies europeias e não oferece perigo aos seres humanos, tanto que não se produz soro para este tipo de veneno no país. São conhecidos apenas alguns acidentes no Brasil, de pequena e média gravidade, muitas vezes associados à sensibilidade das vítimas.

Capturar o animal que causou o acidente e trazê-lo junto com a vítima picada facilita o diagnóstico e o tratamento correto.

Bibliografia

http://www.fiocruz.br/biosseguranca/Bis/Infantil/araneideos.tm
http://www.guiabutanta.com/butantan/arnahas.htm
http://www.cit.sc.gov.br/index.php?p=aranhas